Hélio Morais lança videoclipe como amostra de seu novo projeto solo, MURAIS

Conhecido por uma performance explosiva nos palcos, seja na bateria da PAUS ou da Linda Martini, bandas de grande importância da cena indie portuguesa nos últimos 15 anos, Hélio Morais apresenta uma nova proposta em MURAIS, seu projeto solo, que irá lançar o álbum de estreia com produção de Benke Ferraz (Boogarins). E em Catatua, seu novo single, MURAIS revela mais uma canção desta nova fase, com clipe dirigido por Ana Viotti. Assista aqui.

Sucessor de Não Sou Pablo, Nada Muda, primeiro single do álbum, o clipe de Catatua, traz o artista ao piano em uma ambientação romântica, com destaque para a performance da escritora portuguesa, romancista, cronista e amiga de Hélio, Pat R, e também para a bela atuação do cantor, bailarino e intérprete angolano, JUDAS. Em uma espécie de paródia de cantor romântico, o artista apresenta o vídeo como uma chave para a desconstrução da faceta já conhecida pelos portugueses.

Levantar dúvida nxs outrxs, questionar-se a si mesmo, tirar-se da sua zona de conforto. Um novo instrumento, um novo lugar – o da escrita de canções -, representam exactamente a oportunidade para me colocar nesse desafio de me mostrar de uma forma livre, desconstruída, insegura. E é assim que, nesse vídeo, o podemos ver sentado ao piano, qual cantor romântico, a interpretar um sem número de clichês. A letra remonta para uma certa ironia sobre a forma como a sociedade se une para “cantar verdades”, para cada um cantar a sua verdade. A forma como cada pessoa cria a sua narrativa, na esperança de convencer o maior número de pessoas de que essa é a verdadeira. E essa é, talvez, uma das grandes ingenuidades dos nossos dias. A de que existe uma verdade. A verdade está no coração de cada um e cabe a todxs xs outrxs aceitarem que pode ser diferente da sua. Resta-nos aceitar isso mesmo e empatizar, tentar entender. E a minha verdade é que não sinto somente uma coisa. Posso ser o artista sério, activista e politizado, como posso ser o artista que usa humor para lidar com as minhas próprias fragilidades”, comenta o artista.

O álbum, que leva o nome do projeto, será lançado em setembro pela Sony, em Portugal, e pelo selo do Primavera Sound, Primavera Labels, no resto do mundo. Produzido entre Portugal e Brasil, Hélio conta como foi trabalhar com Benke, que também assina as produções do Boogarins: “Às vezes é mais fácil partilhar intimidade com estranhos. E estas canções sempre foram muito íntimas para mim, no sentido em que me vejo colocado num lugar desconfortável, mas onde quero estar. Foi assim que, quando estive com os PAUS no Brasil, em Maio de 2019, decidi mostrar as canções ao Benke, que, não sendo um estranho, tinha o distanciamento que achava necessário para ouvir o que tinha gravado. E foi assim que esta aventura começou a tornar-se real”. No final de Novembro do ano passado, Hélio esteve em Recife trabalhando com Benke nas faixas.

Sobre o projeto, Hélio comenta: “MURAIS é o nome que encontrei para dar forma às canções que tenho escrito sozinho. Desde que o piano que fez a tour europeia do Sufjan Stevens, em 2010, foi parar à sala de ensaios de Linda Martini que me tenho andado a divertir com esta ideia de fazer canções simples, sem grandes pretensões. Abordei o instrumento da mesma forma que o fiz com a bateria pela qual as pessoas conhecem o meu trabalho; de um modo naïve/punk. O importante, para mim, era encontrar estruturas que me permitissem dizer as coisas que queria cantar”.

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