“Defina Beleza: Nunca Olhe Para o Sol”, curta do multiartista Baloji, uma ode à pele preta

repost via Nowness

O multi criativo Baloji abre debate sobre branqueamento de pele nesta ode visual à beleza negra. Usando sua marca registrada de figurinos esotéricos e metáforas visuais, o hitmaker e cineasta congolês-belga Baloji, explora a prática de clarear a pele em comunidades negras. Eufemisticamente descrito como “clareador” ou “tonificante”, o branqueamento de pele assume diversas formas inócuas – como cremes, lustres e sabonetes – para lidar com a hiperpigmentação, sendo mais frequentemente usado pelas mulheres para imitar os padrões de beleza eurocêntricos.

Nunca olhe para o sol é uma expressão que ouvia quando pequeno” diz Baloji. “Nunca olhe para o sol e não brinque sob ele porque você já é escuro o suficiente são maneiras de os pais tentarem proteger seus filhos mas isso tem efeitos colaterais.”

“Padrões ancestrais combinados com preconceitos modernos e estigmas explicam o branqueamento de pele” continua Baloji. “Não podemos criticar esta prática porque ela está enraizada em concepções culturais, interpretações e questões de autoconsciência.”

“O branqueamento nunca é feito para rejeitar a identidade negra ou africana, mas para diminuir o efeito que a pele tem na sociedade.”

Baloji apresenta Nunca olhe para o Sol em torno de um produto de branqueamento fictício, no qual o protagonista do filme banha-se cerimoniosamente. O diretor cobre a protagonista em renda branca e tecidos pesados, sombras e holofotes para brincar com temas de escuridão e luz. “Conheço muitas pessoas que experimentaram o branqueamento de pele” diz Baloji. “Isso nunca é feito para rejeitar a identidade negra ou africana mas para diminuir o efeito que a pele mais escura tem na sociedade.”

O poema do filme, narrado pela pensadora decolonial e oradora de relações raciais, Dorrie Wilson, é uma declaração sobre a beleza da pele escura, com suas palavras atuando como um contrapeso para o chemical love affair de branqueamento da protagonista.

“Thandi Loewenson – escritora do poema – me fez descobrir algumas palavras de Christina Sharp, que ressoam profundamente em mim,” diz Baloji. “Beleza não é luxo, é uma maneira de criar possibilidades no espaço do isolamento.”